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    "Falta 1 mês para que o Ifet de Gaspar fique pronto para os jovens nele estudarem."
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    Álvaro de Campos

    Poema em Linha Reta

    Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó principes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

    *Álvaro Campos é um dos heterônimos de poeta e escritor português Fernando Pessoa.

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O Hospital de Gaspar e os Políticos

O Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Gaspar, está fechado. Ele tem uma história de sofrimento (não apenas das pessoas doentes que o procuravam). Ele sempre foi um pedinte, um moribundo, um enjeitado (inclusive por médicos). Menos para os políticos para usá-lo para fazer política rasteira, dar empregos e até prover assistencialismo mesmo sabendo que com isso contribuíam para a sua morte gerencial, financeira e na sua finalidade de salvar vidas. Uns faziam isso sob disfarces: dizendo que estavam salvando-o para o povo e outros, enfraquecendo-o para poder culpar adversários nos discursos. Uma vergonha.

Um dia, sucateado o Hospital fechou. Os próprios médicos manobraram para isso e foram à Justiça.

Corajosamente, a Acig principalmente via a Bunge Alimentos, o CDL, a Ampe, o Rotary, o Lions e a Imprensa decidiram mudar a história do Hospital que teve no passado um herói: o Frei Godofredo. Ele uniu a cidade em torno desta causa. Os corajosos de hoje, ao contrário de Frei Godofredo, lutaram contra muitas opiniões contrárias e pressões, ainda não conseguiram a união. Dificilmente conseguirão. Primeiro eles fecharam o Hospital para reconstruir e modernizá-lo e assim, dentro de um novo contexto, entregá-lo à população do Vale. Não estão apenas reconstruindo-o fisicamente, estão saneando nas suas dívidas, dúvidas e aproveitadores de sempre do caos (e que não é gente humilde não).

Foram tempos difíceis e desconfianças. E ainda não superados. Gente que luta até pela não vinda de verbas e doações. Incrível.

Agora, o Hospital aberto parece mais real para os céticos, os críticos e os que são sempre contra Gaspar ser grande e competitiva no Vale do Itajaí. E os primeiros a perceberem isso foram os políticos. Apareceram oito deputados estaduais no sábado na entrega da verba federal pelo governador Luís Henrique da Silveira, PMDB, de R$3,5 milhões para reequipar o Hospital. E cada um dizendo-se pai da verba. E pior que tem político gasparense que alimenta isso. Uma vergonha.

Eu sei de tudo porque não sendo político, com outros, fui também atrás desses recursos. Apesar de serem federais, em nenhum momento, nenhum político ou entidade federal disse ao governdo do Estado que o Hospital deveria receber esta, num valor maior ou menor, ao que a secretaria de Saúde do estado lhe destinou. Nem quem reclamou em público no discurso agiu neste sentido. Apenas teve a coragem de discursar com a observação obcena da paternidade. Esses políticos precisam do Hospital não para se curar ou deixá-lo vivo para atender a população, mas moribundo, mendigo e mal administrado para terem discursos, palanques, causas e plateias desinformadas, inconformadas ou partidárias nas suas manifestações. Acorda Gaspar.

Para encerrar, fico com a observação pública do vice-governador, Leonel Arcanjo Pavan, PSDB, respondendo a falta de respeito de determinados políticos para com o hospital: “este dinheiro é do povo, é constitucional, é dos impostos de todos nós. Ninguém é pai deste dinheiro, senão as pessoas. Estamos apenas retornando ao povo para o melhor uso que é a Saúde”.

Lição? Não. É o exercício do óbvio, na minha opinião.

4 Respostas

  1. Apenas para constar: no site do Jornal Cruzeiro o link que remete ao blog está com o endereço errado em seu último comentário.Percebi depois de tentar acessar pelo link.

  2. Gustavo: obrigado pela observação, ajuda e leitura. Herculano

  3. Falando no hospital não passo passar batido. Foi o local que trabalhei com mais amor na minha vida, pela gratidão que tínhamos dos pacientes. Fui durante 10 meses aministrador interino, colocado à disposição pela prefeitura e com o apoio das empresas. Wilian Braun era o presidente do Conselho Administrativo;no Conselho Deliberativo, representando várias entidades, estavam:Sílvio Schmitt, Bernardo Leonardo Spengler, José Aldo Pereira, Solano Bolomini e Odemar Gaertner, entre outros que não me lembro agora.Entre as empresas contribuiam com OTNs: Emerson, Chantelli, Ceval, Hering, CDL, Algi Hansen Matos, Prefeitura de Gaspar, Confecções Valdelí, Lince, Plasvale, Círculo e Verde Vale, além de um grupo de fundadores que davam suas contribuições. Nunca esquecendo a contribuição da Ceval na construção da “Ala Francisco Mastella” bem como a participação do Dr. Valmor Beduschi, anteriormente, pela construção do asfalto e da aquisição da lâmpadas de teto para sala cirúrgica. Promovemos rifas de automóveis para pagamento do 13º salário, sempre com a participação efetiva da Ceval, através do Dr. Vilmar de Oliveira Schürmann. Quero neste espaço paranbenizar todos aqueles que se empenharam neste projeto de reconstrução e reabertura; a população volta a dormir mais tranquila.

    Não permitam que oportunistas façam o discurso em cima do vosso trabalho! Vamos salvar nossa gente!

  4. Pelo que acompanho e tantas vezes fui intermediário de pedidos, verbas e soluções para o hospital nestes 30 anos, tenho certeza que a iniciativa privada colocou muito mais dinheiro no hospital do que os políticos. Estes sim, o usaram e ajudaram no sucateamento. E ai incluo todos os prefeitos. Odir: quantas vezes você cita a Ceval como testemunha de um curto período em que esteve lá? Quantas vezes ela reivindicou ser reconhecida por isso? A Ceval fez isso não por piedade ou para ser louvada. Fez porque que era e é (agora Bunge) um membro da comunidade. Cidadania (e temos muitos outros exemplos na comunidade e entre tantos cito o pessoal da Ceramifix principalmente no que tange a inclusão social de menores). A Ceval e seus controladores não alimentaram hobbies e coleções extravagantes. Fizeram escolhas diferentes, cidadãs. Feitas as contas agora, na atual campanha pelo reconstrução,modernização reabertrua do novo hospital, a Bunge colocou mais dinheiro que os políticos. E nem por isso briga por aparecer. Fez questão de ficar fora da foto. Esta é uma campanha de todos e com méritos iguais (mesmo nas desigualdades), inclusive para aquele(a) que contribui com R$2 na conta de luz por mês, ou comprou um bilhete da rifa, ou para quem doou muito mais ou ajudou na intermediação de verbas públicas, e que por serem públicas, são dos cidadãos e cidadãs pagadoras de tributos (e que são muitos e pesados). Saúde é um direito constitucional. E os políticos sabem disso muito bem. Acorda Gaspar.

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