A senadora por Santa Catarina, Ideli Salvatti, PT, é um poço de incoerência. Penso que isso é reflexo do espelho a que ela está sumetida e exposta para o partido, o governo, o Presidente um bravateiro contumaz e à própria governabilidade para se perpetuar no Poder.Todavia, a repetição desta situação, das sucessivas incoerências que se estabelece, a tornará, penso, frágil no palanque para a sua legítima e possível pretensão de ser candidata a governadora dos catarinenses em 2010.
Nem vou escrever mais (já o fiz neste blog e na coluna do jornal Cruzeiro do Vale) daquele silêncio comparsa da queixa pública do Presidente Lula de que não sabia de nada das obras de recuperação do porto de Itajaí SC, as quais se arrastam há sete meses em desculpas e prejuízos aos catarinenses. Vou escrever sobre o episódio de ontem, terça-feira, quando a senadora como líder do governo de Luís Inácio Lula da Silva, foi à tribuna defender o presidente da Casa, o ex-presidente da República, o chefe da clã oligárquica política maranhense, mas eleito senador pelo Amapá, José Sarney, do PMDB.
É briga de cachorro gordo. Então eu não vou escrever sobre a oligarquia e privilégios da família Sarney e que o PT já combateu. Coisas de Maribondos e fogueiras. Exporei outras incoerências mais práticas, factuais e pragmáticas para escapar do ideológico. Primeiro: por que essa devassa no Senado? Porque o PT de Ideli Salvatti, perdeu a presidência da Casa no embate com o médico e senador acreano Tião Vianna (Sebastião Afonso Viana Macedo Neves). Segundo. Por que o escândalo? Porque o PT, como um mau perdedor como sempre saiu por ai dando “pistas” nos bastidores, por detrás dos panos. Por sua máquina e militância ranzinza, vez vazar, “pequenas coisas” daquilo que se fazia e se sabia, mas se encobria por anos na instituição Senado. Tudo para se vingar, para jogar por espaços no jogo do Poder e asssim enfraquecer o novo presidente do Senado. O PT é assim.
Terceiro: deu tudo errado ao que parece nos planos do próprio PT e quem sabe do próprio governo. Era para dar apenas “um susto”, digamos assim e parece que vai dar morte. O pouco que se “vazou” ou se “sinalizou” nos bastidores para a imprensa, para após então na publicidade se estabelecer uma moeda para a chantagem e a ocupação do Poder perdido, virou algo incontrolável com a capacidade investigativa que tem hoje esta mesma imprensa e alguns profissionais que nela se estabeleceram diferencialmente.
O Senado ficou exposto. Os senadores também. O Governo igualmente. E ai o PT resolveu agir, ou pelo menos fingir, pela voz da líder do Governo, Ideli Salvatti.
Veja o que Ideli disse ontem na tribuna do Senado e que os jornais estampam hoje e ontem a noite as redes de tevês exibiram. A senadora classificou tudo como “ondas de denúcias”. E pode até ser uma onda. A primeira incoerência: mas quem iniciou esta onda de denúncias? Nao foi o próprio PT? “O que está vindo a público é coisa que tem muito tempo, não é nada recente, é muito antigo. E tudo tem muitas mãos, tem a participação de muitos”, disse ela.
Certo. A segunda incoerência: a senadora concorda com essa esbórina e quer ver tudo abafado só pelo fato de ser antigo? Não é o PT que defende a transparência? Denúncias não são feitas para serem apuradas? Como o PT desqualificou a velha elite política? Não foi com denúncias? Este será o discurso de Ideli na próxima campanha aqui em Santa Catarina? Duvido.
Ideli foi mais longe.”Eu vou defender na bancada que nenhuma medida pode ser adotada contra qualquer um dos senadores”. E foi. Na reunião de ontem a noite o PT saiu dividido (como sempre) e sem nenhuma posição sobre o assunto (parece até coisa do PSDB). Vale uma pergunta, ou mais. A bancada não deu ouvidos para a líder do Governo? Ou ela foi à tribuna apenas fazer teatro, no papel que lhe cabe como líder do Governo, para assim amenizar na relação de dependência que o Governo tem e precisa nas duas casas (Câmara e Senado) do PMDB?
Ainda de acordo com Ideli “Ninguém pode ser acusado, afastado, antes que as investigações sejam concluídas. Senão não vamos resolver nada. Continuaremos lendo essas matérias [de denúncias] até que o Senado se inviabilize”. A senadora está preocupada pois o Senado está parado naquilo que é essencial: legislar e a favor do Governo.
Ela está certa neste segundo ponto, mas é incoerente mais uma vez: quem começou tudo isso? Se tem problemas, já comprovados, porque resistir a saneá-los? A paralisia da sessões deliberativas está toda em função destes problemas que se enrolam em reuniões do abafa, da proteção e das intenções secretas; nada se resolve e tudo parece estar fora daquele controle antigo, mas que se quer abafar.
E para encerrar e mostrar como o rei está nú, colo esta observação. É uma carta de um leitora (e eleitora, certamente não catatarinense) publicada na edição de hoje da Folha de S.Paulo. “Acabo de assistir pela TV Senado ao discurso de Ideli Salvatti (PT-SC), em que ela disse que as ilegalidades no Senado já vêm ocorrendo há muito tempo. Se ela sabia dessas falcatruas por que nunca denunciou? É mais fácil ser conivente?” NILZA PEREIRA RUBO (São Paulo, SP)
A continuar exposta como está, em assuntos com comprovadas dúvidas e incoerências, a senadora Ideli Salvatti vai se comprometendo na imagem do sonho e do desafio do PT de ser governo em Santa Catarina por seu intermédio. Os mais próximos dela jogam com a fraca memória dos eleitores e eleitoras e o que eles dizem ser uma “torrente” de obras e recursos do governo Federal em seu socorro para fortalecer o seu palanque. Será?
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Ninguém espera coerência em um governo do PT. É só observar o que está acontecendo em nosso Município. Estão, literalmente, dando um tiro no pé e fazendo de graça, campanha para o nosso ex. Acorda..
Chegaram ao poder criticando o Sarney e agora são aliadíssimos. Acreditar em quem?
Algum tempo atrás, fiz um comentário a respeito da possibilidade da candidatura de Ideli ao Governo do Estado. O que parece óbvio é que ela não tem, como hoje se percebe em todo PT, a menor noção de civilidade política. Naquele comentário, coloquei que esta candidatura podería beneficiar politicamente a cidade de Gaspar com possilbilidade de dividendos para cidade, uma vez que é comandada pelo mesmo partido. Mas como diz o Luiz Afonso, estão dando tiro no pé.
Hoje, quinta-feira, desde a madrugada entrou em cena o Presidente Luís Inácio Lula da Silva. O nó crucial desta questão é o seguinte e agora ficou explícito: não perder o apoio do PMDB (do qual Sarney, Renan e Barbalho são sinalizadores) para a ministra-companheira-candidata, Dilma Roussef e que está em campanha. É o vale tudo (que o PT sempre condenou e por isso era diferente dos demais), inclusive o ético, pelo Poder. Esta banda (sim porque tem a do Pedro Simon,do Jarbas Vasconcelos) do PMDB está orgulhosa. No senado, a resistência do PT, por enquanto, apenas está em Marina Silva e Eduardo Suplicy.